E daí que nossas férias maravilhosas e perfeitas chegaram ao fim no dia 16 de janeiro.

Com tudo organizado, dei uma ultima passadinha no salão de beleza horas antes do voo, para dar um tapa no visual.

Quando estava voltando para a casa dos meus pais senti uns pingos, seguidos de trovoadas.
Logo pensei: ferrou, vai parar tudo e é melhor a gente correr.

Dito e feito, e tivemos que correr com as bagagens e menino embaixo de uma tormenta medonha.

Da casa dos meus pais ao aeroporto em um trânsito normal nao se leva mais do que 30 minutos, incluindo o tempo para encontrar vaga no estacionamento.

E nesta dia, infelizmente o que ocorreu foi perturbador.
O transito do Rio de Janeiro que já é normalmente complicado, ficou inacreditável.

Estava tudo parado, enchentes, alagamentos, carros quebrados, caminhões, ônibus quebrados, acidentes, assaltantes no meio da pista, um verdadeiro inferno e por um momento eu tive a certeza: já perdi este voo.

Eu sempre fui muito pontual e super organizada. Eu nunca perdi um voo, nunca me atrasei.
Eu já passei altos perrengues para que isso nunca pudesse acontecer, mas desta vez a culpa nao foi minha.

Sei que quando entrei no aeroporto já tinha esta certeza.
Tentei e nao consegui, o check in já estava fechado e nao havia mais nada a se fazer.

Fui ao balcão da companhia aerea ver o que poderia fazer a respeito e fui mal tratada.
O atendente inclusive foi muito arrogante ao me propor pagar a bagatela de 10.000,00 (SIM, dez mil reais) para voar no dia seguinte. Me disse que meus bilhetes eram promocionais, e nao me dariam o direito de remarcar o trecho perdido.

Entrei em contato com a ANAC, com o juizado especial cível, e com a própria companhia aérea por telefone e email.

Como nada foi resolvido coloquei nas mãos de uma advogada de uma empresa focada em voo cancelado, atrasados, overbooking. Tive que comprar novos bilhetes em outra companhia aérea e uma semana depois consegui voltar para Viena.

Aprendi com meu pai há muitos anos atrás algo que me é muito importante: sobre o livramento.

Se eu perdi este voo, era porque certamente o destino assim o quiz, e que para a frente coisas melhores aconteceriam.

Eu fiquei muito triste por isto, eu precisava voltar porque tinha problemas grandes para resolver aqui e nao poderia perder mais tempo.

No final das contas, e hoje após 3 meses do ocorrido eu concordo com toda a certeza deste mundo: foi o melhor que aconteceu!

Por um monte de motivos bons, outros maravilhosos e principalmente: por ter tido o privilégio e a felicidade de poder estar junto da minha família por mais uma semana.

Foi uma semana extra muito feliz e gostosa.
E a cereja do bolo: já tenho tickets para voltar logo após a Copa do Mundo.

Ás vezes se perde algo, para ali na frente se ganhar muito mais!